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Com estrutura de eucalipto, ambiente da CASACOR Piauí é 95% reaproveitável

Arquiteto Paulo Müller conta como criou o Espaço GarArt Conceito, projeto da CASACOR Piauí 2024 feito a partir de materiais e técnicas sustentáveis

Por Maria Fernanda Barros
18 jun 2024, 08h00

Quando o arquiteto Paulo Müller deu início às investigações acerca da frase “De presente, o agora”, que simboliza a temática da CASACOR 2024, ele logo começou a buscar a melhor forma de resgatar a ancestralidade e repassar o seu legado. Ao refletir sobre o caráter temporário e efêmero da mostra, a primeira ideia surgida foi retomar a arquitetura nômade e projetar um espaço que fosse facilmente desmontável, a partir de uma construção que reduzisse ao máximo os impactos ambientais do descarte. 

Arquiteto Paulo Müller, criador do GarArt Conceito - Projeto da CASACOR Piauí 2024
Arquiteto Paulo Müller, criador do GarArt Conceito – Projeto da CASACOR Piauí 2024 (Divulgação/CASACOR)

Diante disso, Paulo e sua equipe foram atrás da literatura sobre técnicas de arquitetura dos povos nômades — os quais tinham a necessidade de migrar periodicamente de local. A partir desse estudo, o arquiteto atualizou os métodos utilizados pelos antepassados e apresentou na CASACOR Piauí 2024 um ambiente 95% reaproveitável feito com materiais naturais. “O recado para a arquitetura que queremos passar com nosso ambiente é: a natureza gritando por sustentabilidade!”, afirma Paulo. 

O espaço GarArt Conceito foi concebido com princípios sustentáveis desde o primeiro momento, conta: “Desde a fundação do ambiente, usamos blocos cerâmicos reutilizados de demolição. Fui nas obras que eu conhecia atrás de tijolos de demolição, essa foi a primeira atitude sustentável do nosso espaço”.

Paulo Müller - GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024.
Paulo Müller – GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024. (Victor Eleuterio/CASACOR)

Mas o que conceituou o ambiente arquitetado por Paulo Müller foi a estrutura inteiramente feita de eucalipto que envolve a garagem. Além de remeter à regionalidade do Piauí, a planta se configura como uma matéria-prima pronta, o que dispensou o uso de outros materiais e garantiu a sustentabilidade da construção. As sobras do eucalipto ainda foram reutilizadas no fornecimento de toda a eletricidade para o espaço.

Paulo Müller - GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024.
Paulo Müller – GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024. (Victor Eleuterio/CASACOR)

O eucalipto também foi combinado com madeiras de árvores que foram cortadas na CASACOR para construir um painel que revestiu uma das paredes, que foi nomeada de “parede do reuso”. “Pegamos vários tipos de madeira que tinham na obra, como mangueira, cajueiro e o próprio eucalipto, fizemos tabletes de tamanhos e formatos diferentes, criamos um grande painel e acrescentamos água para gotejar nesse painel”, relata Paulo. Depois, o espaço viria se tornar um “cantinho espiritual”, afirma o arquiteto, que convidou artistas para projetarem elementos ancestrais e ditos populares de modo a regionalizar o ambiente

Paulo Müller - GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024.
Paulo Müller – GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024. (Victor Eleuterio/CASACOR)

“Nem só de plantas caras e ornamentais se faz um belo jardim”

No lugar de um paisagismo com alto valor agregado, Paulo construiu um jardim de cana de açúcar: “Buscamos mostrar que a cana de açúcar é um bem de consumo  sustentável e rentável, foi ela que foi o que sustentou várias gerações de nordestinos que viveram na agricultura”. As canas de açúcar distribuídas ao longo da entrada do espaço foram combinadas com a reutilização de pedras que já existiam no jardim pré-existente no casarão que hospeda a CASACOR Piauí. 

Paulo Müller - GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024.
Paulo Müller – GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024. (Victor Eleuterio/CASACOR)

Nas palavras do arquiteto, o jardim do GarArt Conceito exemplificou que “nem só de plantas caras e ornamentais se faz um belo jardim”. A concepção do ambiente partiu do reaproveitamento, da reutilização e da reciclagem do próprio insumo da obra: “É comum ouvir que a construção civil é uma indústria muito poluente devido aos resíduos sólidos que ela promove durante o processo construtivo e ao alto nível de descartes. Nós procuramos minimizar isso ao máximo”, relata. 

Paulo Müller - GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024.
Paulo Müller – GarArt Conceito. Projeto da CASACOR Piauí 2024. (Victor Eleuterio/CASACOR)

“É 95% reaproveitável: tudo se desmonta, tudo se reutiliza”

Para chegar até essa estatística que sinaliza para um ambiente quase totalmente reaproveitável, Paulo e sua equipe precisaram abusar da pesquisa e da criatividade. Então, foi escolhido um piso de cimento queimado — posteriormente coberto por uma arte simbólica do Piauí, feita em grafite — e um teto de vidro. Além disso, as paredes foram feitas por artesãos e as estruturas de madeira foram montadas a partir de furos de prego — uma tática que não danifica o material e, consequentemente, viabiliza o seu reaproveitamento.

“Mostramos que uma arquitetura natural, regional e efêmera pode sim ter estilo, beleza e funcionalidade. Ela pode gerar essa sensação de abrigo natural, a partir desse resgate ancestral”, afirma Paulo. 

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Serviço CASACOR Piauí 2024

Onde: Ave Zequinha Freire, 225 – Santa Isabel, Teresina (PI)

Quando: de 16 de maio a 30 de junho

Horário de funcionamento:
Terça a domingo e feriados, das 17h às 22h

Bilheteria digital:
https://appcasacor.com.br/events/piaui-2024

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Valores dos ingressos:
R$ 70 – Inteira
R$ 35 – Meia-entrada
R$ 210 – Passaporte CASACOR (individual e intransferível, dá livre acesso em todos os dias de funcionamento da mostra)

A bilheteria funciona até às 21h30.

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